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Crustáceos

Desde o período Cambriano quase todos os táxons de crustáceos superiores já existiam, mas suas relações e origens com outros artrópodes ainda não estão bem claras. Os registros mais antigos de fósseis são do Cambriano inferior.

Os crustáceos representam o táxon de maior diversidade entre os ¹Artropoda, predominantemente marinho, e também com ocorrência de espécies em ambiente dulcícola e terrestre. A característica de plasticidade fenotípica, garante aos crustáceos uma grande variedade morfológica e, consequentemente ecológica (fig.1). São organismos de grande importância à cadeia alimentar; servindo de alimento para peixes e outros animais maiores e ocupando lugar na ciclagem de nutrientes, já que muitas espécies são detritívoras, ou seja, alimentam-se de matéria orgânica em decomposição. Além disso, possuem representantes de grande valor na economia por fazerem parte da alimentação humana. A dieta e os mecanismos de alimentação dos crustáceos são muito variados, desde suspensívora, herbívora, carnívora e parasitismo.

Fig. 1: Exemplos da diversidade morfológica e ecológica dos crustáceos.

Os crustáceos são invertebrados com pés articulados, simetria bilateral, corpo segmentado dividido em cabeça, tronco e abdômen, ou somente cefalotórax (em algumas espécies), abdômen, placa torácica recobrindo todo o corpo ou parte dele e apêndices birremes. A característica diagnóstica dos crustáceos em relação aos Artropoda é a presença de dois pares de antenas (1º par: antenula, 2º par: antena). A cabeça consiste em cinco segmentos fundidos, com dois pares de antenas, um par de mandíbulas, dois pares de maxilas, três pares de maxilípides (estruturas utilizadas na alimentação), rostro e um par de olhos pedunculados. Télson terminal portador de um ânus, alguns crustáceos possuem o ultimo par de apêndices do segmento abdominal modificado, são os urópodos, que auxiliam na natação e nas fêmeas protegem os ovos (Fig. 2).

Fig. 2: Morfologia básica de um camarão.

Crustáceos são na maioria dióicos, embora existam espécies hermafroditas como as cracas. A fertilização é quase sempre interna e na maioria das espécies com cópula. As gônadas encontram-se em posição dorsolateral, sendo estruturas alongadas, tubulares e encontradas aos pares. Muitos crustáceos produzem espermatóforos e a transferência é comumente indireta. Os machos podem apresentar alguns apêndices como antenas ou apêndices torácicos anteriores modificados para segurar a fêmea durante a cópula, já às fêmeas da maioria dos crustáceos, incubam os ovos em apêndices ou em câmaras incubadoras chamadas de sacos ovígeros.

O desenvolvimento nos crustáceos pode ser indireto (anamórfico) ou direto (epimórfico). No desenvolvimento direto não há estágios larvais, o ovo apenas eclode um jovem imaturo semelhante ao adulto, que cresce em tamanho e desenvolve gônadas tornando-se adulto. No desenvolvimento anamórfico (indireto), do ovo eclode uma larva com o desenvolvimento embrionário ainda incompleto e com apenas parte do número de segmentos e apêndices presentes no adulto. A larva passa por mudas periódicas, adicionando gradualmente novos segmentos e apêndices até atingir forma adulta, essa larva quase sempre é planctônica. O siri Arenaeus cribrarius passa por oito estágios de zoea e um de megalopa, caracterizando o desenvolvimento do tipo anamórfico, já o lagostim possui desenvolvimento epimórfico, ou seja, do ovo eclode um jovem imaturo.

Sendo um grupo muito heterogêneo, os crustáceos apresentam estágios larvais diversos, recebendo nomes diferentes nos diversos táxons. A larva básica dos crustáceos é o naúplio (larva pelágica que dispõe de três pares de apêndices e um pequeno olho mediano na parte anterior da cabeça; olho naupliar), sendo o estagio mais inicial que pode ocorrer no momento da eclosão. Após a eclosão a larva prossegue o seu desenvolvimento, sofrendo ecdises para crescer e adicionar segmentos e apêndices O número de estágios larvais e o de instares (estágio entre duas mudas sucessivas) em cada um desses estágios podem variar. Nesse processo outras formas larvais dão sequência ao desenvolvimento até a forma adulta.

O sistema nervoso nos crustáceos segue padrão típico dos artrópodes que é formado por um gânglio supraesofágico ventral, ou cérebro, um par de conectivos periesófagicos envolvendo o tubo digestivo logo depois da cabeça (anel nervoso), um par de cordões nervosos ventrais e longitudinais com gânglios segmentares pares e nervos motores e sensoriais segmentares. O cérebro consiste em protocérebro, deutocérebro e tritocérebro. O sistema de nervos viscerais conecta-se anteriormente ao sistema nervoso central na altura do tritocérebro e posteriormente ao gânglio em posição mais posterior da cadeia nervosa ventral, esse sistema liga o intestino, coração, os cecos digestivos e outras vísceras. Os órgãos do sentido nos crustáceos incluem olhos, estatocistos (órgãos de equilíbrio que permitem o organismo orientar-se), cerdas sensoriais e proprioceptores (receptores internos). Muitos crustáceos possuem olhos na forma de ocelos medianos e/ou olhos compostos laterais. Na maioria das espécies, os adultos apresentam dois olhos compostos laterais, que podem estar na extremidade de um pedúnculo móvel, ou serem sésseis e alinhados com a superfície da cabeça.

Daniele Cosme Soares

Graduanda em Ciências Biológicas / UFRN

Email: danizinhabiosoares@gmail.com

Como citar este texto:

Soares, DC. 2011. Crustáceos. Texto publicado no site do Grupo de Estudos de Ecologia e Fisiologia de Animais Aquáticos (www.geefaa.com).